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GUERRA DO VELHO DE JOHN SCALZI - O autor entrega uma obra viciante e com bom humor.
- srtmerlin

- 21 de nov. de 2020
- 4 min de leitura
Atualizado: 5 de jul. de 2022

Considerado um dos mais admirados e respeitados escritores de ficção científica contemporâneos, John Scalzi nasceu em 1969 nos Estados Unidos, sendo além de escritor; editor e crítico de cinema. Ex-presidente da Science Fiction and Fantasy Writers of America, já ganhou os prêmios Hugo e Locus, além do prêmio John W. Campbell de Melhor Escritor Estreante com Guerra do Velho, seu primeiro romance.
“No meu aniversário de 75 anos fiz duas coisas: visitei o túmulo da minha esposa, depois entrei para o exército.”

Guerra do Velho foi publicado pela primeira vez em 2005, chegou ao Brasil através da editora Aleph no ano de 2016, possui 365 páginas com um total de 18 capítulos divididos em 3 partes. E conta a história de John Perry que aos 75 anos se alista no exército ou melhor nas FCD – Forças Coloniais de Defesa, para proteger a Terra e conquistar novos territórios, pois a humanidade finalmente chegou à era das viagens interestelares. A má notícia é que há poucos planetas habitáveis disponíveis – e muitos alienígenas lutando por eles, por este motivo a raça humana conta com tecnologias inovadoras e com a habilidade e a disposição das Forças Coloniais de Defesa.
Devo admitir que Guerra do Velho foi o meu primeiro contato com o autor, e como uma recente leitora de Sci-Fi fiquei animada com a narrativa proposta. John Scalzi traz um tom humorístico que torna a leitura cada vez mais prazerosa e divertida de acompanhar, me peguei em vários momentos dando altas gargalhadas, seja por piadas de “tio” contadas pelos personagens ou as diferentes personalidades das figuras apresentadas.
“Eu preferi me desculpar por algo com que realmente não me importava e deixar alguém na Terra me desejando o bem a ser teimoso e ter alguém esperando que algum alienígena chupasse meu cérebro de canudinho. Uma espécie de seguro contra carma.”
A parte 1 do livro retrata toda a caminhada do protagonista a partir do momento em que ele se alista e aceita fazer parte das Forças Coloniais de Defesa, exército esse que mantém não apenas a guerra longe dos terráqueos e colonos, como igualmente evita que a Terra saiba demais sobre a situação do universo. Descobrimos os segredos por detrás do recrutamento de idosos com mais de 75 anos juntamente com John Perry que tem apenas uma vaga ideia do que as FCD podem fazer.
A primeira parte é recheada de humor e descobertas, não tem como não se apegar aos “Velharias”, você torce por mais momentos de descontração entre os personagens. A leitura fluiu muito bem, porém foi bem difícil (eu) imaginar uma quantidade gigante de idosos em um mesmo lugar parecendo colegiais.
“Por mais que eu odeie o cemitério, ao mesmo tempo fico grato por sua existência. Sinto saudades da minha mulher. É mais fácil sentir falta dela num cemitério, onde ela nunca esteve a não ser depois de morta, do que sentir falta dela em todos os lugares nos quais esteve viva.”
A parte 2 é onde acompanhamos o desenvolvimento do nosso protagonista como soldado das FCD, seu treinamento e serviço militar. O autor também traz à tona algumas reflexões nesta parte da história, por exemplo; como a guerra pode trazer a falta de noção de consequência sobre tirar outra vida, sendo ela humana ou não. Porém, fiquei decepcionada pela superficialidade, algumas questões são colocadas na mesa, contudo, Scalzi faz a discussão de forma rasa. Achei engraçado como o autor usa o conceito de coincidências na narrativa para trazer um momento de humor e até mesmo grandes conveniências a favor do protagonista.
Nesta segunda parte temos as mortes trágicas de alguns personagens, e percebemos como o serviço militar e a luta contra o desconhecido exige o dobro de atenção da raça humana nesta busca incansável de colonizar novos planetas. Apesar de em alguns instantes me sentir lendo uma enciclopédia do universo criado por Scalzi, me diverti com a apresentação e explicação da diversidade cultural alienígena, me peguei inclusive em vários momentos torcendo por eles.
"Mas, por fim, vocês devem se importar porque são velhos o bastante para saber que devem. Esse é um dos motivos pelos quais as FCD selecionam idosos para se tornarem soldados. Não é porque vocês todos estão aposentados e são um peso para a economia. É também porque vocês viveram o bastante para saber que há mais na vida do que a própria vida."


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